Uma mulher luta para não definhar face ao drama no qual vive. O seu corpo sustenta as marcas irreversíveis de um horror. As marcas, rastos de uma esperança nula sobrepondo a pele, alteram aquilo que chega aos olhos do mundo.
Todo ele se move educada e delicadamente e com uma sensualidade invejável e desejável. Vê-se os contornos e no entanto, estão escondidos os vestígios.
Vestidos justos, blusas e saias de cintura alta, aumenta a fasquia com a maquilhagem e sorrisos e assim se apresenta perante a sociedade. Sujeita-se a provas de valor e ninguém questiona a sua perfeição. Ninguém a vê verdadeiramente mas todos a conhecem. Pelo nome, de vista ou fruto de uma amizade fraudulenta.
No reflexo de um espelho qualquer vê-se tocada por veneno, um mapa cravado no corpo. Chora e deixa-se cair sobre os mosaicos, nunca o odiou mas foi com ele que prestou contas.
Ela faz da sua vida uma peça de teatro.